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100 escovadas antes de ir para cama - Melissa Panarello

Li esse livro de mais de 100 páginas em 1 noite e parte da manhã, que precisei fazer repouso.

Esse livro vendeu muito (e ainda vende) e foi traduzido para 24 idiomas diferentes. O chamariz do livro é que se trata do  diário  de uma garota de 16 anos, que narra com detalhes suas aventuras e desventuras sexuais.

Eu confesso que comecei a ler pra ver "qual era", se ela era tudo isso mesmo. Mas fiquei penalizada. A primeira página do livro diz assim:

"...Parece que tudo está fechado em uma redoma de vidro (...), mas não há calma dentro de mim. É como se um rato estivesse roendo minha alma."

E o diagnóstico vai bem por aí. Uma garota que se entrega para um rapaz em busca de amor, mas não recebe nada em troca. E ela começa a buscar em cada boca, em cada homem, seja qual for, sua alma, sua completude.

Pais ausentes, liberdade demais - que pra mim mais parece pouco caso mesmo - fizeram da Melissa uma menina sozinha, que se deixava usar no sexo, em busca de afeto. Ela passa em cada parágrafo de seu livro a necessidade de ser amada, aceita, valorizada... porém sempre topando com os homens errados e as maneiras erradas de se buscar o amor.

Mas quem nunca se deixou usar , ou permaneceu em uma relação para não ficar "sozinho", que atire a primeira pedra. Quem nunca se satisfez com migalhas de carinho, com o amor egoísta do outro... Aceitando as condições, os pedidos de calma, de "espere, agora não", de impossibilidades... Quem nunca se sentiu em terceiro plano na vida da pessoa que amava, mas pensava "melhor assim do que nada"?

Eu já vivi tudo isso. Talvez por isso tenha detectado tanta dor e anulação nas entrelinhas do livro. O sexual, ficou tão sem graça, tão doloroso por conta do preço que ela pagou por cada "aventura", que não achei nada excitante, como a idiota do NYT achou.

Vai ver porque amor, em minha opinião, não deve rimar com dor.